Um instituto empresarial como o Instituto Sabin, onde estou, se posiciona no intervalo entre dois setores: o privado e o terceiro setor. Tendo tido experiência no setor público, na academia e como empreendedor, eu consigo perceber algumas das principais particularidades que os diferenciam ou os tornam semelhantes.

No contexto do terceiro setor, há uma ênfase significativa nas discussões políticas e sociais. Porém, essa abordagem, embora importante e óbvia para quem está dentro, muitas vezes negligencia o desenvolvimento de competências intrapessoais e interpessoais, que são fundamentais para a construção de organizações e relações mais harmônicas e menos conflituosas.

Começando pela primeira, a base de todas as inteligências é a intrapessoal. Ela envolve, entre outras competências, o autoconhecimento, a autorregulação e a literacia emocional. Um exemplo aqui seria a (in)capacidade de reconhecer e gerenciar as próprias emoções, o que é essencial não somente para liderar, e nem apenas para conviver em qualquer organização ou grupo social: mas até para conviver consigo próprio.

Em seguida, temos a inteligência interpessoal, que inclui competências como comunicação, negociação, respeito e compaixão. Um trabalhador que consegue entender e responder adequadamente às necessidades e emoções de seus pares pode promover um ambiente de trabalho mais saudável, colaborativo e amistoso.

Competências sociais e políticas, embora importantes, poderiam ser desenvolvidas com base nas competências intrapessoais e interpessoais. Um exemplo disso seria a habilidade de navegar em discussões políticas complexas sem a necessidade de lacrar, levando debates a caminhos mais profundos, reflexivos e equilibrados.

Nessa seara, um framework está se popularizando no Brasil e no mundo: o Inner Development Goals (IDG ou objetivos de desenvolvimento interno), também conhecido como o objetivo de desenvolvimento sustentável zero (ODS 0). Zero porque ele é a base para que sejamos capazes de contribuir para os outros 17 ODS que temos na Agenda 2030, claro.

Os IDGs focam no desenvolvimento pessoal como base para a ação social e política, promovendo um campo menos autorreferente e mais autoconsciente. Ao priorizar essas competências de maneira integrada, podemos não apenas melhorar a eficácia das organizações do terceiro setor, mas também contribuir para uma sociedade mais desenvolvida – humanamente falando.

Gabriel Cardoso
Gerente-Executivo do Instituto Sabin

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Protopia

Protopia é um conceito do futurista Kevin Kelly, que descreve um estado de progresso contínuo e gradual. Diferente da utopia, que é um mundo perfeito e inalcançável, e da distopia, que é um mundo em decadência, a protopia foca nas pequenas melhorias diárias que, acumuladas ao longo do tempo, resultam em avanços significativos.

O progresso é sustentável a longo prazo, tanto social quanto ambientalmente, e promove o desenvolvimento de tecnologias e políticas que beneficiem todas as camadas da sociedade.

Exemplos incluem o desenvolvimento de tecnologias como a internet das coisas (IoT), métodos de ensino que incentivam a aprendizagem contínua, melhorias nos sistemas de saúde pública e práticas de permacultura.

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